Blog da UNQ

As Negativas da Balança Comercial Catarinense

Assim como nas exportações, as importações catarinenses também caíram mais do que a média nacional em maio. Com relação ao mês de abril, houve uma queda de 12,25% nas importações catarinenses, enquanto no Brasil a redução média foi de 4,48%. Essa mesma diferença foi percebida nas exportações, o que mostra uma redução nos negócios gerados pelo estado.

balança comercial catarinense maio

Mesmo com essa redução nos valores importados, houve um aumento nas importações da China, o que mostra uma tendência de busca maior no país asiático. Origens como Argentina, Estados Unidos, Chile, Alemanha e Índia compensaram com quedas significativas.

Com reduções similares nas importações e nas exportações, o estado de Santa Catarina manteve a sua balança comercial negativa, já que o número importado ainda é maior que o número exportado, causando este déficit comercial. Em âmbito nacional já se percebe uma alteração no cenário com as exportações superando as importações, o que não acontecia desde 2009, quando o dólar caiu para o patamar de R$1,65. O acumulado do ano ainda é negativo, mas tudo indica que isto pode mudar nos próximos meses.

Em geral, uma balança comercial favorável é interessante para o país, já que assim entram mais divisas financeiras do que saem. Como, no caso do Brasil, há uma preocupação intensa com o controle da inflação, já que é a base do plano econômico, as importações devem continuar sendo estimuladas. A expectativa, no entanto, é que as exportações continuem sendo maiores para que, assim, o país tenha uma balança comercial mais equilibrada.

Por ora era isso! Na Zdrowie!

Marcelo Raupp
marcelo.raupp@unq.com.br

A solução tem sido alugar o Brasil

Os problemas de infraestrutura no Brasil são pautas constantes pela ineficiência que eles promovem às empresas. Por isso, temos ouvido bastante sobre programas de concessões que o governo tem trabalhado para estimular o desenvolvimento. Mas o caro leitor já pensou o que quer dizer este programa de concessões?

A constituição brasileira, em seu art. 21, trata dos serviços que são de responsabilidade da União, ou seja, o governo federal. Dentre eles, estão a infraestrutura aeroportuária, os portos marítimos, fluviais e lacustres, os serviços de transporte rodoviários de passageiros e os serviços de transporte ferroviários. Sem condições próprias de investimentos nestas áreas, o governo tem procurado parceiros interessados neste investimento e na exploração do serviço através destas concessões, permitidos pela constituição no mesmo artigo. Na prática, este programa de concessões objetiva encontrar parceiros que possam fazer aquilo que o governo não consegue.

O Porto de Itajaí, por exemplo, possui a parte de administração pública e a parte de administração privada, essa segunda através da concessão para um grupo dinamarquês. Pela diferença de condições, praticamente todos os processos atracam pela parte privada. E isso temos visto em grande parte da condição atual, em diferentes grupos de investidores, e é o que se direciona para o futuro.

A parte positiva é que é possível compensar a ineficácia governamental com investimentos internacionais privados. O ponto negativo é que o foco dos investidores não é exatamente o desenvolvimento do país, mas sim os seus próprios lucros, o que limita as expectativas no crescimento econômico. É a mesma coisa, caro leitor, quando é preciso fazer melhorias no apartamento alugado. Há sempre uma análise de ganho e perda sobre o valor investido. E é isso que tem acontecido com as concessões na exploração da infraestrutura brasileira. Os grupos privados de investidores buscam o lucro e não o desenvolvimento. Como já dizia o Raul Seixas, a solução tem sido alugar o Brasil. O problema é o preço pago!

Por ora era isso! Na Zdrowie!

Marcelo Raupp
marcelo.raupp@unq.com.br

Varrendo para baixo do tapetekowski

No mês passado, comentamos aqui sobre a redução nas exportações de carnes brasileiras. Desde então, o Governo tem se empenhado em tratativas paralelas para poder aumentar o apelo comercial e reduzir as barreiras fitossanitárias. No mês de março, anunciaram o fim do embargo à carne brasileira Iraque, Africa do Sul, Arábia Saudita e China, os quais devem resultar positivamente em breve.

Na contramão, durante a semana passada, a Rússia anunciou que vai embargar a carne brasileira proveniente de alguns frigoríficos por não atenderem as necessidades do governo russo. Estão na lista frigoríficos como JBS, Mafrig e BRF. O lado bom é que nenhum frigorífico catarinense entrou nesta proibição de exportação para o mercado Russo.

O mais estranho é perceber que o embargo acontece bem no momento em que as importações de carne brasileira na Rússia já tinham sido reduzidas de forma intensa e as expectativas no Brasil eram de aumento dos números. Sabemos que há problemas econômicos sérios na Rússia causada também pela queda do preço internacional do petróleo, mesmo com a leve recuperação nas últimas semanas. Ou seja, a inspeção no Brasil acontece logo quando o volume comprado é pequeno e as condições de compra na Rússia não são as melhores, o que é realmente estranho.

Aparentemente, a faxina de melhorias na Rússia tem o objetivo de passar parte da sujeira econômica para debaixo do tapete do vizinho, no caso, o Brasil. Afinal, estas imposições a frigoríficos específicos parecem justificativas para trocar o centro das atenções dos problemas naquele país e trazer para o nosso. Agora, convenhamos, haja tapete por aqui.

spon-dilma-varrendo-tapete

Por ora era isso! Na Zdrowie!

Marcelo Raupp
marcelo.raupp@unq.com.br

Os Descaminhos Legais dos Impostos Brasileiros

Claro que a oscilação cambial não é mais surpresa no dia a dia. O que nos surpreende ainda são dados e pesquisas econômicas que vão contra a nossa expectativa. Esta semana, por exemplo, dois dados divulgados surpreenderam pela relevância dos números. O primeiro dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, mostra que o Brasil é o país que cobra imposto mais caro e que menos dá retorno à população, o que de certa forma, já era esperado pelo brasileiro.

inndignados-governo-povo-impostos-indiretos

O segundo vem da Conference Board, instituto americano, que diz que um trabalhador americano produz a mesma coisa que quatro brasileiros juntos. Ou seja, a produtividade do americano é quatro vezes maior que a do trabalhador brasileiro, calculado através da relação entre PIB e o número de empregados. A pesquisa ainda mostra que 1 coreano equivale a 3 brasileiros e que 1 chileno equivale a 2 brasileiros.

Claro que a primeira informação não é tão surpreendente, já que a alta carga tributária sem contrapartida do governo está no nosso dia a dia. A surpresa maior está na relação das duas informações, já que os dados de produtividade refletem o baixo índice educacional no Brasil, a falta de qualificação da mão de obra, os gargalos na infraestrutura e os poucos investimentos em tecnologia no pais.

Se os impostos fossem utilizados de maneira correta, retornando ao povo como educação, pesquisa e infraestrutura, além claro de saúde e segurança, com certeza, estes números seriam bem melhores.

Por ora era isso! Na Zdrowie!

Marcelo Raupp
marcelo.raupp@unq.com.br

Um Novo Alfinete Colorido no Mapa

A alta do dólar também tem atrapalhado os planos de quem tem intenção de viajar para o exterior. No final da semana passada, o Banco Central divulgou os dados do turismo no período de janeiro a abril de 2015. Nestes quatro meses, os gastos com viagens internacionais dos brasileiros caíram 16% com relação aos mesmo período do ano passado. Entre os meses, pior resultado é o de abril que teve uma redução de 30% se comparado com 2014.

alfinete

Pensando nisso, as empresas aéreas vêm tentando aliviar o bolso do consumidor com promoções, principalmente para voos para os Estados Unidos. Nos sites especializados em busca de passagens, é possível encontrar voos de até 700 reais para trechos entre São Paulo e Miami, ida e volta. A média de valores, no ano passado, era de 2000 reais pelo mesmo trecho.

Além de utilizar as ferramentas de pesquisa online para comprar passagens e reservar hotéis, negociar bem a troca de reais pela moeda americana é uma opção para economizar nas viagens. O Banco Central disponibiliza online o Ranking do Valor Efetivo Total, ou VET, que traz o valor médio em que o dólar foi negociado nas Instituições de Câmbio do país no último mês e também indica as Casas e Bancos que cobram menos. O Ranking VET pode ser encontrado no site do Banco Central, em www.bcb.gov.br.

Claro que, em tempos de economia em recessão, é muito mais difícil fazer uma viagem internacional. Entretanto, do mesmo modo como acontece nas importações, o aumento do dólar por si só não é impeditivo. É preciso planejar (com mais antecedência, os valores são melhores), buscar alternativas, pesquisar a realidade e, se for o caso, adequar o destino. Eu sempre digo que um alfinete colorido novo no mapa é um aprendizado decorativo na própria vida.

Por ora era isso! Na Zdrowie!

Marcelo Raupp
marcelo.raupp@unq.com.br