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Gestão de comércio exterior e relações internacionais na operação Carne Fraca

Por: Renato Barata Gomes, especialista em negócios internacionais, sócio-diretor da UNQ Import Export. renato.barata@unq.com.br.

A operação Carne Fraca, denunciada na semana passada pela Polícia Federal, trouxe à tona problemas sérios referentes à qualidade da carne produzida no Brasil. A operação também investiga corrupção entre empesas e fiscais do Ministério da Agricultura. A divulgação do escândalo teve repercussão interacional gerando embargos de países compradores de carnes brasileiras. O caso tem demandado um esforço nacional com o objetivo de reverter a imagem negativa do Brasil no exterior, tanto das empresas envolvidas com comércio exterior, quanto do governo federal e Itamaraty nas relações internacionais.

Brasil negocia com países que suspenderam a importação de carnes brasileiras

No âmbito do comércio internacional, compradores de Estados Unidos, Coréia do Sul, Vietnã, Arábia Saudita, intensificaram a inspeção dos produtos brasileiros. Já no âmbito das relações internacionais, na semana passada, os principais países compradores de carnes brasileiras suspenderam as importações de frigoríficos no país. Dentre eles, Argélia, Bahamas, Catar, Chile, China, Egito, Hong Kong (região administrativa especial da China), Jamaica, México, Panamá, Trinidad Tobago. Após negociações intensas e o envolvimento do próprio presidente Temer, China, Chile e Egito, durante esta semana, retiraram a suspensão geral das importações de carnes, mantendo o veto somente aos 21 frigoríficos investigados na operação.

As exportações de carne brasileira caíram 19% desde o início da operação Carne Fraca

As exportações de carne brasileira tiveram uma redução na sua média diária na ordem de 19% na quarta semana de março, comparada ao acumulado do mês. O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), divulgou que a média diária de exportação de carnes era de US$ 62 milhões, até a terceira semana de março. Este montante caiu para US$ 50 milhões na última semana.

Principais compradores de carnes brasileiras em 2016

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Imagem: G1.globo.com | Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC)

Benefícios do Terminal Alfandegado

Alternativas para otimização da logística portuária

 

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Imagem: Caderno UNQ/Março 2017

Os terminais alfandegados são áreas destinadas ao recebimento de cargas de importação ou exportação controladas pela alfândega. São espaços devidamente licenciados pelos órgãos competentes, como a Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis, a Antaq, a Marinha do Brasil, a Anvisa e a Receita Federal.  “É um local que presta serviços de carga e descarga, armazenagem e distribuição de mercadorias, através de uma estrutura operacional alfandegada, onde ocorre a nacionalização das mercadorias, assim como todo o tratamento logístico necessário para que elas cheguem, ao seu destino, da forma requerida pelo importador”, explica o gerente comercial da Poly Terminais, Jailson Felipe.

A Poly Terminais, terminal alfandegado primário de uso misto, localizado em Itajaí/SC, é um exemplo disso. Realiza operação portuária de navios de carga geral, cargas de projeto e granéis líquidos. Atende também na movimentação e armazenagem de cargas que demandem necessidades especiais, consolidação e desconsolidação ou que necessitem de regimes específicos para o efetivo desembaraço.

Estrutura diferenciada

O diretor da UNQ, Renato Barata Gomes, exemplifica bem as possibilidades de utilização dos serviços específicos. “Recebemos recentemente a visita de uma empresa em busca de melhorias nos seus trâmites logísticos. Segundo o empresário, na última importação, a mercadoria caiu em canal vermelho, depois em cinza e ficou mais de quarenta dias parada no porto para ser liberada”, conta Gomes. O container em questão trazia produtos químicos de alto valor agregado e os custos extras com armazenagem foram muito altos. De acordo com o especialista, a análise adequada poderia ter reduzido este valor se o empresário tivesse optado previamente por nacionalizar em um terminal alfandegado.

Para Jailson, a raiz do problema é a falta de capacitação para os negócios internacionais. Jailson destaca a importância da informação e de se ter parceiros capacitados para encaminhar os processos. “Geralmente, as pessoas que estão nas importações das empresas estão linkadas ao setor comercial e estão interessadas em comprar e vender. Se estes profissionais não estão sendo bem orientados, acabam correndo riscos por apostar que a mercadoria será sempre liberada rapidamente. E, no caso do comércio exterior, paga-se valores muitos altos por qualquer erro”, conclui.

 

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Mercado externo é atrativo também para pequenas e médias empresas

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Marcia Nejaim, diretora de Negócios da Apex Brasil.

Muitas empresas brasileiras não incluem a exportação como estratégia por acreditarem que se trata de um tipo de negócio complexo e, até mesmo, intangível. Em entrevista exclusiva ao caderno especial O MUNDO DOS NEGÓCIOS – Março/2017, a  diretora de Negócios da Apex-Brasil, Marcia Nejaim, fala sobre as oportunidades que o mercado internacional oferece.

OMDN – No seu entendimento, por que tantos empresários brasileiros ainda têm receio de ingressar na exportação?

MN – A inserção do Brasil no mercado internacional ainda é pequena se comparada à enorme capacidade produtiva do nosso país. Somos a sétima economia do mundo, mas apenas o 25º exportador mundial. O que acontece normalmente é que como o mercado interno brasileiro é muito grande, o empresário acaba por concentrar esforços para atender a demanda interna e por vezes esquece de olhar para as oportunidades externas. O que a Apex-Brasil tem feito é mostrar que as opções não são excludentes. Temos trabalhado para mudar a cultura do empresariado brasileiro.

 

OMDN – Falando de empresas de pequeno e médio porte, existem negócios para elas fora do Brasil?

MN – Com certeza! O sucesso em alcançar o mercado externo é diretamente ligado à estratégia e ao planejamento da empresa. É fundamental que a exportação esteja inserida em uma estratégia de longo prazo, e não seja apenas uma ação pontual como resposta a uma eventual queda na demanda do mercado interno. Em 2016, por exemplo, quase 80% das empresas exportadoras nacionais eram de pequeno e médio porte. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), das 22,2 mil empresas exportadoras nacionais, 17.631 exportaram até um milhão de dólares.

 

OMDN – Qual você considera o maior obstáculo para o exportador iniciante? E como driblá-lo?

MN – A palavra-chave é planejamento e acesso à informação, tanto sobre os procedimentos necessários para exportar, quanto sobre oportunidades de negócios. É preciso, desde o início do processo, entender como funcionam os trâmites burocráticos de comércio exterior, quais os melhores mercados para os produtos da sua empresa, quais as especificações e barreiras para se acessar esses mercados, os melhores canais de distribuição, entre tantos outros. A Apex-Brasil tem um time todo preparado para apoiar as empresas iniciantes no comércio internacional.

 

OMDN – Na prática, o que um empresário precisa ter/fazer para receber apoio da Apex Brasil?

MN – O principal que uma empresa precisa ter para receber apoio da Apex-Brasil é vontade de alcançar novos mercados. Temos um leque de programas para cada etapa de maturidade da empresa. Para iniciantes, temos o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), em que é feito um diagnóstico da capacidade exportadora das empresas. Em seguida, são propostas soluções para problemas técnico-gerenciais detectados em áreas como RH, adequação de produtos e serviços, marketing e comércio exterior. Também temos as ações de promoção comercial com a participação em feiras internacionais, missões comerciais e outros eventos. Por fim, a empresa que está mais madura e tem a intenção de se internacionalizar, pode contar com nosso apoio no desenvolvimento da estratégia para internacionalização.

As empresas contam também com os serviços dos escritórios da Agência no exterior, além da rede de Setores de Promoção Comercial, os SECOMs, formada por 104 unidades em 83 países do Ministério das Relações Exteriores, ao qual a Apex está vinculada.

 

OMDN – Qual mensagem você deixa às empresas com potencial e que ainda não vendem para o mercado externo?

MN – Exportar não é nenhum bicho de sete cabeças. Qualquer empresa pode buscar novos mercados no exterior. Basta estar preparada e capacitada para isso. As empresas que atuam no mercado internacional tornam-se mais competitivas também no seu mercado de origem, ganham conhecimento no exterior, diversificam fontes de receitas e base de clientes.  Acima de tudo, a exportação deve ser parte de uma estratégia de médio e longo prazos e não ser apenas uma solução pontual.

 

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A importância da classificação fiscal de mercadorias no comércio exterior

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Por: Renato Barata Gomes, empresário e consultor em negócios internacionais. renato.barata@unq.com.br

Todos os produtos importados e exportados possuem uma classificação fiscal, isto é, um código padrão que tem como objetivo enquadrá-los em uma categoria e ao mesmo tempo estipular os impostos que incidirão nas transações internacionais, bem como as normas que deverão reger o processo de comercialização internacional de uma determinada mercadoria.

A padronização da classificação fiscal torna os negócios internacionais mais fáceis

No passado, cada país adotava uma política interna para classificar os produtos. Isto gerava muito transtorno nos negócios internacionais, pois o exportador classificava seu produto com um código e o importador tinha que classificar o seu produto de acordo com a sua legislação local, dificultando integração de sistemas e tornando mais lento o processo. Desta forma, para facilitar o comércio exterior, criou-se um sistema internacional padronizado conhecido como HS Code. O Mercosul baseou-se neste sistema internacional para padronizar a classificação das mercadorias e chamou de NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul). O Brasil, por ser um país-membro do Mercosul, também adota o NCM como base para a classificação fiscal.

Limitações no sistema de classificação fiscal e o “jeitinho brasileiro”

Como existem muitos produtos disponíveis no mercado e cada produto possui diversas variações, é impossível que um sistema consiga abranger um código para cada produto existente. Por isso, a NCM acaba por adotar códigos genéricos de forma que vários produtos possam ser classificados com o mesmo código, dando margem para diferentes interpretações. E aí existe um problema. Existem empresas que, na busca de reduzir custos, adequam intencionalmente a classificação dos produtos, com o intuito de escolher um NCM que possua menor alíquota de impostos. Isto é muito arriscado pois pode levar a altas multas pelos órgãos fiscalizadores.

Os impostos impactados pela classificação de produtos no Brasil

Em nosso país, o NCM tem maior impacto nas importações do que nas exportações. Isto porque o governo brasileiro concede isenção de alguns impostos na exportação. Na importação os principais impostos impactados pela NCM são o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), este último principalmente no cálculo do ICMS ST (Substituição Tributária).

A classificação correta dos produtos é essencial nos negócios internacionais

A classificação correta de produtos segue normativas que devem ser adotadas pelas empresas para garantir a tranquilidade nos negócios e evitar que “o barato saia caro” nas operações internacionais. Na dúvida, é muito importante que as empresas busquem auxílio de assessorias em comércio exterior, assim como os escritórios de contabilidade de sua confiança, para minimizar os riscos de multa por uma classificação indevida.

Por que a exportação pode salvar a economia do país

Por: Marcelo Raupp, empresário e consultor em negócios internacionais (marcelo.raupp@unq.com.br).

As circunstâncias econômicas têm mostrado a cada dia que o empresário moderno, para se manter competitivo, deve apostar no mercado internacional. Nestes tempos de dificuldade econômica generalizada, os detalhes na profissionalização são os diferenciais para manter a empresa no mercado. Encontrar o caminho certo para importar e exportar não são mais estratégias opcionais, são, sim, parte de um contexto necessário. Para se ter uma ideia de como precisamos melhorar, hoje, apenas 20 mil empresas brasileiras são exportadoras e 40 delas respondem por mais de 50% das exportações.
Crise de demanda
O problema de demanda que temos vivido nada mais é do que a diminuição do poder de consumo do brasileiro, ou seja, o trabalhador tem menor condição de compra, o que gera naturalmente a diminuição do potencial de vendas das empresas, e isso causa os problemas econômicos. Os principais motivos dessa redução de potencial de consumo foram o aumento dos juros, que deixaram o acesso ao crédito mais caro, o aumento da taxa de desemprego, que reduziu a renda média da população, e o aumento dos preços dos bens chamados insubstituíveis, aqueles que não podemos deixar de consumir como energia e transporte, e que limitou a compra de outros bens. Ou seja, tendo que pagar mais por essas coisas que somos obrigados, sobra menos para outras coisas que poderíamos consumir. Isso tudo gerou a crise de demanda que temos hoje. O potencial de produção e de venda das empresas não é consumido porque o cidadão não tem mais o mesmo potencial de compra.
A solução é encontrar consumidores fora do Brasil
Com a redução de demanda interna, as empresas precisam desenvolver sua condição de buscar novos cliente e uma das principais alternativas é encontrar consumidores fora do Brasil. Por isso, o Governo tem estimulado as empresas a exportar. O objetivo é sair do ciclo negativo que a economia se colocou: a população brasileira consome menos, as empresas vendem menos, ficam em dificuldade e empregam menos. Com menos empregos, o potencial de compra do cidadão reduz ainda mais e as empresas, vendendo menos, precisam reduzir novamente os custos demitindo seus empregados. E assim sucessivamente em um ciclo negativo que só é possível sair buscando novos clientes, em âmbito internacional.
Resultados de uma oportunidade bem aproveitada
O objetivo do Governo, na verdade, tem sido buscar alternativas para os problemas de consumo que temos no país. Se não há consumidores locais, é fundamental busca-los em outras partes do mundo. Por isso, é o momento ideal para as empresas aproveitarem os incentivos, buscarem capacitação a respeito do processo de internacionalização, encontrar parceiros especializados para obter uma orientação profissional e, no final de tudo, aproveitarem o status e os benefícios gerais de ser uma empresa exportadora.